ONDE ESTIVEMOS ::
2015-02-08 | Face Norte 3 IIIsup E2 300m - Pico do Perdido do Andaraí

Por: Edu Brito, Leandro Cordova, Michael Martins, Momo Brasil

Depois de alguns meses sonhando em subir o Perdido, tinha em mente o objetivo que só faria o cume se fosse escalando! Planejei em algumas tentativas frustradas pelo excesso de sol ou chuva, nunca dava, tinha que ser um dia perfeito!

No começo da semana tinha combinado de escalar no domingo com Leandro, algo no Grajaú (já com intenções, hehe). Um dia antes, em conversa pelo "zapzap" no grupo escalalight, Momo se juntou a nós, formaríamos uma cordada de três.

Domingo pela manhã recebi uma mensagem do Michel perguntando se havia mais uma vaga. Uma de três virou duas cordadas! Marcamos às 9h, um pouco tarde para uma via quente, mas assim fomos. Leandro se atrasou um pouco, mas 9:30 já estávamos na trilha, ninguém sabia onde era à base da via. Já demos de cara com abelhas na parede depois da CEB60, e quase desistimos de achar a via Face Norte, continuamos, e Momo com todo guia do Grajaú memorizado, achou a base da via. Acordamos o Claudney para saber se era a via certa, até o Hans também foi consultado!

As cordadas automaticamente se formaram sem nem combinarmos, Michel e eu, Momo e Leandro. Começamos a escalar umas 11h mais ou menos, sol a pino muito quente! Guiei a primeira enfiada da laca até uma parada dupla, logo veio o Michel com a corda da segunda cordada já para dar segurança porque que esse primeiro lance era meio exposto. Ainda não sabíamos o que nos aguardava! Logo avistei uma variante pela esquerda, talvez um V sujo, quebrando muitas agarras e uma veio na minha mão. Já levei uma vaca logo de cara, demorou mas fiz o lance, toquei até a P1, lance curto, não chegou a meia corda, logo me encontrou o Leandro vindo pela via normal, que é um lance longo exposto para direita e depois para esquerda, se juntando conosco, Michel pela variante e Momo chegando pela normal.

Michel guiou a segunda enfiada em torno de uns 45 metros com grampos difíceis de se ver, cheguei na P2, foi o tempo de tomar uma água, descansar os dedões dormentes pela sapata, e partir para guiar a segunda. Logo na saída da P2, um lance meio estranho, sem muita coisa para se fixar, demorei um pouco, mas passei no veneno, meio que quase “artificializando”! Kkkkk. Dois grampos para direita, boa proteção com fitas longas, tem um grampo velho, esqueça ele, tocando pra cima, indo mais para esquerda, enfiada mais psicológica, talvez a mais difícil, cheguei na P3. Michel veio, não demorou muito já partiu para P4, enfiada com exatamente 60 metros e grampos com difícil visualização, bateu a dúvida se daria a corda. Pensamos os três juntos, foi o André Ilha que regrampeou a via, com certeza ele pensou nisso! Dito e feito, o freio encostou no nó do baudrier! Nesse tempo Leandro e Momo já estavam comigo na P3, maior bate papo, descontração, sem tirar o olho na seg. Parti, enfiada muito cansativa, cheguei na P4 bem desgastado, parada pro lanche, as bananinhas e maçãs que levei “SALVARAM A PÁTRIA”, uns goles d’água em todas as paradas eram obrigatórios (levei 2,5 deu até o cume), e para melhorar, o tempo nublou, e ficou excelente, antes a brisa da montanha não estava dando conta, logo ficou muito agradável, um luxo total.

Depois da P3 já estávamos muito entrosados, escalando bem mais rápido que no começo e encarando qualquer cristalzinho como se fosse um agrarrão! Guiei até a P5, num platô com árvore, enfiada suja, com bastante aderência e cristais quebradiços, uma agarra do pé de apoio quebrou e dei uma balançada, quase que fui, mas deu pra segurar, cheguei na P5, mais ou menos uns 30 metros, não tenho certeza. Protegi no grampo que segue a via e aproveitei o grampo de uma variante no platô, para montar a parada com duas fitas longas, para poder ficar sentadinho em total conforto 5 estrelas!!! Não se vê o participante, então é bom deixar bem retesado, também não vi mais Momo e Leandro. Logo começou a chuviscar bem fraquinho, e trovões não muito longe começaram a estrondar, Michel chegou rápido, ai ficou: vai? Se não for eu vou! É curtinho! Vai não vai, vai não vai, ele foi!

Saindo para esquerda, antes de costurar o segundo grampo, num lance meio horizontal, ele deu uma “balança adrenada radical”! Foi e voltou! Se caísse ali seria uma queda de uns 8 metros mais ou menos, deu tudo certo, corações aflitos e adrenados, uma enfiada curta, logo a P6, com grampos bem antigos, eu fui, passei direto e cheguei no cume, fiz a seg com uma fita longa num bloco pontudo no cume. Logo Michel chegou, descansamos um pouco, como o risco de chuva era bastante iminente, Michel desceu de baldinho até a P6 para ver se estava tudo bem, se havia condição deles chegarem antes da chuva, Momo já estava na P5, não demorou muito Leandro chegou, logo Momo. Daí pra frente só alegria! Chegamos em torno das 16h, totalizando 5h de atividades, Descemos do cume por trilha, pegamos a trilha errada e saímos fora do parque do Grajaú, nos limites do PNT, paramos no meio da trilha, tomamos uma água límpida, filtradíssima entre duas pedras, maravilhosa, num córrego na trilha, onde os pássaros pareciam que conversavam conosco, batemos um papo cabeça, trocamos experiências da escalada e da vida, pura filosofia! Estavam todos “zen”!

A chuva esperou a gente sair da trilha para desabar, muita água! Tomamos um banho de chuva até um mercadinho, água, Gatorade, mais papo e partimos! Foi uma experiência muito enriquecedora fazer uma via tão longa e com proteções tão distantes, com essa galera super especial, nos divertimos muitos nas paradas, na trilha, no cume! Momo é o cara do “Retese porrrrr”!
Meu muito obrigado a todos! Teremos muito mais aventuras assim...

Abraços,
Edu Brito.


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